O Governo definiu no Orçamento de Estado para 2026 uma redução de 12 milhões de euros no transporte de doentes não urgentes, mas, segundo a Liga dos Bombeiros Portugueses, deverá previamente fazer um estudo à insensibilidade e à má gestão demonstradas pelas estruturas de saúde para servir os portugueses que necessitam desse apoio gratuito.
Há muito que a LBP vinha alertando o Governo para a necessidade premente de alterar profundamente a filosofia e as práticas associadas ao transporte de doentes. O problema várias vezes enunciado pelos bombeiros, antes de se apurar se se gasta muito ou pouco, é saber se se gasta bem, se se respeitam as regras do mercado, sem atropelos nem vantagens alheias mal explicadas.
Para a LBP o que se passa é que este serviço prestado pelos bombeiros e por empresas privadas entre 2013 e 2024 não feito revisto e suficientemente regulado para garantir a equidade e a transversalidade do serviço aos portugueses.
Os cortes anunciados, 12 milhões em 2026, 34,8 em 2027 e 46 milhões em 2028, não resolvem o problema se antes o Governo não tiver feito o estudo a sério, não só quanto, mas essencialmente o como é gasta o dinheiro. Estudo esse para o qual a LBP há muito também se disponibilizou para colaborar.
É bom lembrar que o transporte de doentes não urgentes foi montado pelos bombeiros, aquando da criação do SNS há 46 anos, mediante um acordo genérico celebrado então entre a LBP e a Direção Geral de Saúde. Só assim foi possível, mediante os investimentos feitos pelas associações de bombeiros até aos dias de hoje, garantir com tantos meios humanos, recursos materiais, e de forma contínua, o transporte não urgente dos portugueses.
Imagem | Facebook Vida de Bombeiro

