O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) lamentou em Faro, “que o Governo lhes continue a prometer mais apoios quando na realidade nada acrescenta, nem corrige o subfinanciamento crónico das associações e traduz-se em apenas mais 6 euros por dia para cada associação”.
“Quando se trata de números devemos ser verdadeiros para que os portugueses não sejam confundidos com anúncios de aumentos que não são reais, antes pelo contrário”, apontou António Nunes ao falar no salão nobre da Câmara Municipal de Faro perante os dirigentes e comandos das associações e corpos de bombeiros algarvios a convite da federação distrital local.
O Governo promete para 2024 um apoio de 32,6 milhões, ou seja, um aumento de 3%, muito aquém de todos os aumentos previstos e até da necessidade de anular o subfinanciamento existente há anos.
“A LBP lamenta que o Governo faça bandeira de uma ilusão que não resolve o problema e que só pode confundir os portugueses e, para que estes não sejam iludidos, os números falam por si” sublinha o presidente da LBP.
“O apoio do Estado previsto para 2024, para já, se for de 3%, fica aquém, para metade, do valor esperado da inflação” adianta António Nunes sublinhando que,
“se tivermos em conta o aumento dos custos operacionais, previstos na lei do financiamento das associações de bombeiros de 2015, o aumento em 2024 deveria ser de 9,9% e não de 3%”.
“Ao aumento de 9,9% corresponderia um montante de 40,7 milhões e não de 32,6 como anunciado” refere António Nunes acrescentando que, “se à diferença de mais de 8 milhões somarmos os 10 milhões que vão representar a atualização do salário mínimo nacional nos bombeiros, teremos 18 milhões em falta”.
Só o desvio do financiamento dos bombeiros versus aumento dos custos operacionais entre 2016-2024, de menos 35 milhões de euros, já é superior ao apoio prometido pelo Governo de 32,6 para 2024.
Para o presidente da LBP, “o Estado persiste numa lógica de “dar” aos Bombeiros quando na realidade eles estão a substituí-lo no cumprimento das suas obrigações e, pelos resultados, a ser ressarcidos abaixo do valor real há muitos anos, o que nos permite concluir que, ao não aceitarem as propostas da LBP, lamentavelmente o subfinanciamento das associações vai manter-se em 2024”.

