O debate preenche sempre o arranque do combate aos incêndios florestais e o tema é invariavelmente o mesmo, os meios humanos ou materiais.
O tema tem lógica sendo certo que, como a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) tem repetido e defendido, o debate em torno dele deve ser antecipado, ou melhor, atempado e a horas.
O debate em torno do próprio Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Florestais (DECIR) e da Diretiva Financeira, que o preenche, não ocorre da melhor forma, ou seja, é apressado, desde logo, não dando tempo à análise cuidada, ao seu enriquecimento e atualização como seria recomendado.
Assistimos sempre a um arranque pouco pacífico, por razões evitáveis, que acabam por gerar episódios desnecessários e até prejudiciais. A LBP reclama, o Governo concorda, mas a situação repete-se cada ano, porventura com vantagem para quem, no fundo, não queira mudar muito o estado das coisas.
A questão está nos números, mas, antes disso, na forma de fazer, na lógica, na estratégia, na própria razão de ser dos números, não o contrário.
Cada vez mais se prova que a realidade do dia a dia das nossas associações e corpos de bombeiros, a intensidade, a profundidade e a frequência das suas intervenções no socorro e apoio às populações muda a cada hora. Logo, o DECIR, a Diretiva Financeira e, em geral, o modelo de financiamento das associações estão cada vez mais desfasados dessa realidade. A simples atualização de valores que tem sido praticada nos últimos anos, transformou-se já numa simples panaceia, com o mérito que se assinala, mas sem futuro.
O desafio é para que saibamos mudar esse paradigma. A LBP quer. Acreditamos que todos também querem.
