Estar mais à frente

Numa corrida pedestre, na partida estão todos juntos, mas pouco depois esse grupo vai-se dividindo, reagrupando às vezes, também, mas em função da distância, do tempo e do esforço físico despendido. Os espaços entre todos vão aumentando e no final quando os primeiros cortam a meta ainda há muitos outros por chegar. Ao longo da corrida apercebemo-nos de algumas estratégias individuais ou coletivas, da gestão cerebral que é necessário aplicar ao esforço físico, do processo vital de reabastecimento e da orientação do percurso em função das subidas e descidas.

A participação na corrida é, só por si, louvável. Os resultados classificativos, meritórios sem dúvida, também podem ter interpretações variáveis, em função de resultados e classificações anteriores alcançadas ou de posicionamentos em tabelas locais ou nacionais, ou tendo em conta outras corridas para as quais esta pode ter sido uma simples preparação.

Mal comparando, no universo dos bombeiros e das suas associações podemos estar a assistir a uma corrida idêntica, que não é de agora. Será fruto do volume diversificado entre elas de apoios recebidos, de iniciativas realizadas, de atividades desenvolvidas, de localizações locais e regionais diferentes. À partida, tudo isso conta para diversificar a história e o presente das nossas associações e torná-las nem melhores nem piores, mas apenas diferentes. As diferenças acentuam o carácter de cada uma, a sua inserção de cada uma na comunidade local tendo em conta também a sua localização, se em área urbana e populosa, se em zona rural com maiores distâncias, assimetrias e demograficamente pobre.

Entre os corredores, para além das diferenças, há muito em comum, ou seja, um conjunto de valores e princípios que sustentam a vontade da prática do desporto. O mesmo se passa nos bombeiros, onde encontramos também uma matriz de valores e princípios comuns partilhados entre si, padronizando a sua vivência e a sua prática em benefício de cada comunidade. Todos esses aspetos comuns, como no nosso exemplo da corrida pedestre, contribuem para valorizar a iniciativa de agregar, fundamentar e valorizar também a cultura que lhes subjaz: prevenção e socorro sob o lema de Vida por Vida.

O que hoje a Liga dos Bombeiros Portugueses faz e por que luta é precisamente congregar, agregar, associar todos em função das dificuldades, necessidades, mas também sinergias comuns. Hoje, o subfinanciamento das associações, a inexistência de carreira para os seus profissionais e, em termos amplos, a necessidade imperiosa de um outro modelo de gestão/financiamento e consequente resposta operacional delas é o principal cavalo de batalha nos tempos que correm. E para cuja participação a LBP insta as associações permanentemente, para que possamos ficar mais à frente.

 

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