Ao longo dos seus tempos de vida, Bombeiros e INEM, os primeiros muito mais antigos que o segundo, foram sempre entidades inseparáveis na colaboração em prol de um bem comum, o socorro às populações. Foi graças aos Bombeiros que o INEM pode proporcionar aos portugueses uma rede tão ampla de recursos de apoio e socorro. Foi graças ao INEM que os bombeiros conseguiram evoluir com novas competências e mais massa crítica. Todos sabemos que esta interação, positiva e com enormes ganhos mútuos, nem sempre foi feita da forma mais desejável, isenta de trações ou bicos de pés. No computo final, porém, face a duas entidades com cultura institucional muito forte, os resultados foram sendo alcançados de forma muito positiva.
A degradação recente do relacionamento entre bombeiros e INEM ficou a dever-se, genericamente, a uma perda de confiança. Por um lado, essa perda baseou-se no incumprimento atempado dos pagamentos pelos serviços prestados pelos bombeiros e, por outro, por sucessivas alterações no protocolado entre ambos.
Hoje, o INEM assiste à sua refundação. Em qualquer circunstância nuca é fácil operar mudanças numa instituição que não pode fechar as portas para o fazer. Por outro lado, a sociedade exige-lhe também cada vez mais prontidão e eficácia. Resposta que os bombeiros procuram dar exigindo também, por seu turno, os meios necessários para o garantir. Anos atrás, o panorama era diferente de hoje e tarda-se em atualizá-lo. Hoje em dia a componente profissional do socorro pré-hospitalar nos bombeiros é praticamente total, mas demora-se em assumir isso, em particular em termos financeiros.
As vicissitudes dos últimos tempos levam a que o INEM deva procurar restaurar a confiança dos bombeiros nele. Reconstruí-la é fundamental para que as mudanças verificadas no INEM ou em vias disso restaurem esse clima com os bombeiros. As leis impõem-se, mas o diálogo, que nos importa, consente-se e alimenta-se. É disto que se precisa.

