CTI apresenta diagnóstico redondo

Mais uma Comissão Técnica Independente (CTI) que apresenta as suas conclusões e/ou recomendações a propósito dos incêndios florestais de 2025. Pese embora a bondade dos seus integrantes estamos perante um diagnóstico redondo que, sem nunca falar da liga dos Bombeiros Portugueses, mesmo assim, acaba por aflorar muitas das suas preocupações e reivindicações.

Em síntese, a CTI aponta ao sistema incapacidade sistémica e insuficiência estratégica e também reconhece com delicadeza as suas próprias recomendações. “É importante deixar claro que a lista de recomendações aqui apresentada é o resultado de um processo de aproximação progressiva entre perspetivas diversas numa Comissão também ela diversa”.

A CTI admite também que “de pouco serve aumentar o investimento em gestão de combustíveis, se o dispositivo de supressão não souber aproveitar devidamente as oportunidades criadas por esse investimento”.

A cru, são estas as vinte recomendações da CTI:

  • Aprovar um programa de execução dos princípios do PNGIFR (Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais.
  • Reforçar a especialização funcional entre GFR (Gestão Fogos Rurais) e (Proteção contra Incêndios Rurais) sob a mesma unidade de comando.
  • Integrar prevenção e supressão
  • Reforçar o sistema de qualificação dos agentes
  • Reforçar a capacidade nacional permanente especializada em GFR
  • Dotar a estrutura operacional da ANEPC de uma carreira profissional
  • Reforçar a capacidade da FEPC
  • Criar contratos-programa com responsabilização e objetivos bem definidos
  • Rever a formação de acesso aos quadros de comando
  • Especializar o comando operacional em incêndios rurais
  • Certificação obrigatória para o exercício de funções de comando em incêndios rurais
  • Rever o sistema de gestão de operações
  • Melhorar a informação de suporte à gestão operacional e o registo dos grandes incêndios
  • Melhorar a gestão de recursos humanos no dispositivo de supressão
  • Racionalizar o ataque inicial em função do potencial de expansão dos incêndios
  • Dotar o IPMA de uma capacidade de uma capacidade permanente de pirometeorologia
  • Adotar um plano estratégico de comunicação operacional durante ocorrências de emergência
  • Estabelecer um protocolo nacional de cobertura jornalística de incêndios
  • Expandir os programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras
  • Aprovar um referencial nacional de capacidades e qualificação dos SMPC.

A própria CTI admite que, “em alguns casos as recomendações limitam-se a enunciar princípios orientadores e a balizar caminhos possíveis sem detalhes de execução. Não é proposto um novo sistema nem um rearranjo, por não ter reunido consenso, e as recomendações baseiam-se essencialmente na realidade institucional existente”.

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