Os Bombeiros estão preocupados com os cortes anunciados em sede de Orçamento de Estado de 2026 para o transporte de doentes não urgentes em 12 milhões de euros. Preocupados, seja pelo impacto que isso terá nos doentes, seja no impacto negativo que terá nas contas das associações.
Cerca de 95% das associações de bombeiros realizam esses transportes e deles depende muito a subsistência das instituições, segundo assinala um estudo realizado pela Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) com base no trabalho realizado por bombeiros: três médicos, dois enfermeiros e três dirigentes. Este estudo foi apresentado no último congresso da LBP realizado recentemente em Alcobaça.
O estudo aponta também para as razões que levam muitas associações a não efetuar esse transporte, falta de veículos, falta de recursos humanos, uma decisão operacional e não ser financeiramente sustentável para muitas.
Com as dificuldades acrescidas à realização desse transporte, nomeadamente, o atraso no pagamento, a inclusão do SGTD no sistema sem fase de transição, segundo a LBP, é expectável que venham a ocorrer em breve novos constrangimentos à regularidade e sustentabilidade do serviço.
Outra dificuldade sentida no transporte de doentes não urgentes, segundo o mesmo estudo, é a presença de inúmeras entidades, incluindo privadas, que também oferecem esse serviço em 60% das áreas de atuação dos corpos de bombeiros. Trata-se de uma concorrência desadequada à realidade que gera distorções na prestação do serviço.

