Basta de tergiversar os bombeiros

O termo tergiversar pode confundir os leitores mas não é mais do que chamar a atenção para o sucessivo voltar de costas, sucessivos rodeios, sucessivas evasivas quando se trata de falar a sério dos bombeiros, das suas preocupações e sinergias, desde as suas origens, à sua evolução ao longo do tempo e na atualidade. Neste último caso, em especial, marcada pelas receitas incertas e tardias e abaixo dos custos reais, e que identificam a tergiversação de que os bombeiros são alvo.

Século e meio atrás, quando as primeiras associações de bombeiros foram criadas coube essencialmente às comunidades locais, que lhes deram origem e sustento, mantê-las e fazê-las crescer na medida das posses e das necessidades locais. E foi assim por muitas décadas.

Com o correr do tempo, foram as próprias associações a defender e a procurar mecanismos e modos de partilha alargada e agregação em termos, nomeadamente operacionais. Tratava-se da leitura proativa de uma sociedade em desenvolvimento que implicava mais oportunidades e também mais riscos. E os bombeiros, cientes disso, discutiam muito a necessidade de uma organização ampla e coordenada. A Liga dos Bombeiros Portugueses nasceu também para isso. E os seus fundadores e sucessores apostaram sempre nisso. Vejam-se as sucessivas então designadas assembleias de delegados e os congressos em que essa dinâmica foi sendo cada vez mais versada. Títulos da imprensa da época, como “Congresso dos Bombeiros exige legislação que torne possível máximo rendimento das corporações” ou “Bombeiros reunidos em Congresso querem reestruturação dos serviços de incêndio” identificaram bem o espírito e o grau de exigência por que se pautavam os Bombeiros desde sempre. E, assim, viriam a surgir, por exigência dos Bombeiros, quer o SNB, quer a ENB.

Por imposição natural das necessidades e muita vontade própria dos Bombeiros, as suas associações foram vendo ampliados os seus raios de ação, extravasando ocasionalmente os seus limites locais e municipais para os regionais e até nacional.

Tudo isso, contudo, não foi tendo sempre as devidas contrapartidas. Analise-se a evolução histórica das associações de bombeiros e facilmente se conclui que os seus suportes financeiros têm estado sempre aquém de uma realidade tangível, muitas vezes dramática, de manter a operacionalidade e a própria função associativa com outras valências.

A questão está em, finalmente, da parte do Estado e das autarquias acompanharem a dinâmica das Associações de Bombeiros com as devidas e mais que justificadas contrapartidas. E isso passa também, pela reorganização da estrutura dos Bombeiros que, alguns adaptados ou até comprometidos, podem apelidar de sonhadora, mas que, na lógica da postura vanguardista de sempre dos Bombeiros, pretende ver reconhecido e respeito o seu papel.

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